Femama Batalhadoras. Todo dia uma vitória contra o câncer de mama. Marlí Marcon

Batalhadoras

Iolanda Klaic – O câncer de mama transforma a percepção da vida

31/07/2017 - A FEMAMA conversou com cinco mulheres incríveis, que participaram do vídeo comemorativo de 11 anos da Federação. Uma delas foi a Iolanda Klaic, agente de viagens, que recebeu o diagnóstico de câncer de mama em 2015.

Iolanda suspeitou que havia algo errado, enquanto estava em uma viagem na Europa, acompanhando um grupo. Na madrugada, acordou no quarto do hotel com uma sensação de queimação na mama. Foi ao banheiro, apalpou o seio e encontrou um nódulo, que nunca tinha percebido. Em seguida, enviou uma mensagem e agendou a consulta com sua médica no Brasil para o retorno da viagem.

Na investigação médica, a mamografia e a ecografia já mostraram a alteração. Depois, foi realizada a biópsia que confirmou o diagnóstico de câncer de mama. A ressonância apontou três tumores de diferentes dimensões. Após a detecção, foi encaminhada para um oncologista, que indicou a quimioterapia neoadjuvante para reduzir o tamanho dos tumores antes de realizar o procedimento cirúrgico. Os tumores diminuíram um pouco de tamanho, mas ainda assim, foi necessária a mastectomia total, já que três setores da mama tinham sido afetados. 

Além das transformações físicas, Iolanda enfrentou diversos desafios pessoais. Apesar de se considerar uma pessoa prática e objetiva, reconheceu que o acolhimento da família, dos amigos e dos voluntários do IMAMA foi muito importante. Uma das cenas mais marcantes na época foi quando o irmão dela apareceu de cabelo raspado no mesmo momento em que ela enfrentava a queda das madeixas. Para ajudar na autoestima, uma amiga a levou em uma ONG associada da FEMAMA, onde aprendeu a fazer amarrações nos lenços e escolher uma peruca. Mas Iolanda gostou tanto da iniciativa, que também se tornou voluntária para poder dar a outras pessoas a mesma atenção que recebeu.

A principal mudança que o enfrentamento da doença trouxe para ela foi a forma de encarar a vida: “Comecei a prestar atenção naquilo que realmente tem valor. Até o evento de ter recebido o diagnóstico de câncer, eu dificilmente parava para prestar atenção nos meus amigos, na minha família... Eu, por exemplo, nem notava que estava um sol bonito, que aquela flor tinha florescido. Para mim, aquilo ali não era importante, o importante era eu baixar a cabeça, trabalhar, faturar, essas coisas."

Iolanda denominou as dificuldades que se sucederam como "sinais para acordar”. Além do tratamento, ela passou por uma crise financeira que quase faliu sua empresa, sua mãe teve graves problemas de saúde, ocorreu o falecimento de uma sobrinha e a separação do marido. Tudo isso transformou profundamente sua forma de ver a vida. Apesar das dificuldades, os amigos verdadeiros e a família se aproximaram ainda mais, fortalecendo laços.

A mensagem que ela deixa para as mulheres que acabaram de descobrir o câncer é seguir em frente. Ela lembra que “o câncer não é um ponto, é uma vírgula". Acredita que as pessoas se descobrem muito mais fortes do que poderiam imaginar ao passar pela doença. Considera fundamental também que as pessoas aceitem ajuda, seja uma palavra, um abraço, um apoio e até um olhar. Iolanda disse que nos momentos em que não se tem vontade nem de sair de casa esse apoio ajuda muito. O importante é compreender que “tudo passa" e não ficar se perguntando o porquê, apenas passar por isso e aprender, se tiver algum aprendizado. Fala ainda que a espiritualidade, independente da crença, é uma forma de fortalecimento diário.

O câncer de Iolanda foi curado. Atualmente, ela faz somente acompanhamento. Ela atua como voluntária no IMAMA, ajudando outras mulheres a enfrentar a batalha, sua história é uma verdadeira inspiração para todas as pessoas.


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