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A importância do diagnóstico precoce no caso da apresentadora Ana Furtado

28/05/2018 - Neste domingo (27), a apresentadora Ana Furtado usou suas redes sociais para divulgar a descoberta de um câncer de mama. Aos 44 anos, destacou a importância do diagnóstico precoce para seu bom prognóstico: após a retirada do tumor cirurgicamente, Ana seguirá para quimioterapia.

Com previsão de quase 60 mil novos casos em 2018 no Brasil (INCA), o câncer de mama é tipo que mais mata mulheres em todo o mundo. Quando identificado em estágios iniciais, a chance de cura pode chegar a 95%. O principal mecanismo para identificar a presença de tumores nos estágios mais iniciais é a mamografia, cuja realização defendida pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA) e por sociedades de especialidade nacionais, como Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) é anualmente a partir dos 40 anos para todas as mulheres.Esta diretriz consta na Lei 11.664/08, contudo não é seguida graças a uma portaria que define que o SUS garanta o exame apenas entre 50 e 69 anos, bianualmente. Muitos países que adotam o rastreamento do câncer de mama a partir dos 50 anos o fazem através de um sistema organizado, pelo qual o governo se responsabiliza por cadastrar, agendar e convocar as mulheres para a realização do exame no momento oportuno. Essa prática não é adotada no Brasil.

Um levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Mastologia,usando dados do Registro de Câncer de Base Populacional de Goiânia, constata que mais de 30% dos casos de câncer de mama em estágio in situ, o mais inicial são detectados em mulheres entre 40 e 49 anos. Além disso, mais de 30% das mulheres que descobriram o câncer de mama nesse estudo o fizeram antes dos 50 anos. A apresentadora Ana Furtado é um exemplo de que casos de câncer de mama ocorrem antes da faixa preconizada como prioritária pelo Ministério da Saúde e poderiam ser detectado sem fases mais iniciais.

A apresentadora identificou o tumor graças ao autoexame, no qual verificou a presença de um nódulo e teve a oportunidade de buscar a opinião de um médico e realizar a mamografia. No Brasil, a mamografia em casos como esse, onde há suspeita de câncer ou alto risco em função da existência de casos muito próximos na família, não há idade definida para realização do exame. Mulheres de qualquer idade que apresentem sintoma podem realizar a mamografia para confirmação diagnóstica. A limitação etária de 50 a 69 anos que vigora no SUS é aplicada como diretriz apenas para a realização do exame de rastreamento, ou seja um exame periódico feito por mulheres que não apresentam risco ou sintomas. O problema de se contar com o autoexame em idades anteriores aos 50 anos para se fazer um alerta à realização da mamografia é que essa prática não é realizada por um profissional treinado, e permite apenas identificar nódulos que já estejam maiores que um centímetro, perceptíveis ao toque. A mamografia de rastreamento permite a detecção do tumor no estágio in situ, quando ainda é muito pequeno, podendo ser tratado de maneira ainda menos agressiva e com maiores chances de cura.


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