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Femama Batalhadoras. Todo dia uma vitória contra o câncer de mama. Marlí Marcon

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Após terapia experimental, médicos dizem que mulher em estágio terminal está livre do câncer

Judy Perkins haviarecebido o prognóstico de que viveria apenas três meses mais; dois anos depois,ela vive com saúde graças a dose de 90 bilhões de suas próprias células, umainiciativa que ainda precisa ser testada em grande escala.


07/06/2018 - Avida de uma mulher com câncer de mama em estágio considerado terminal foi salvapor um tratamento pioneiro, que consiste na aplicação de 90 bilhões de célulasimunológicas cujo objetivo é combater o tumor.

Segundopesquisadores do Instituto Nacional do Câncer, nos EUA, o tratamento ainda éexperimental, mas pode ter efeito transformador em todas as terapias de combateao câncer.

Amulher em questão é a americana Judy Perkins, 49 anos, que havia recebido, doisanos atrás, o prognóstico de que teria apenas três meses de vida restantes. Amoradora da Flórida tinha câncer de mama em estágio avançado, que estavaatingindo outros órgãos - já havia tumores do tamanho de uma bola de tênis emseu fígado e em outras partes do corpo - e não havia mais perspectiva comtratamentos convencionais.

Hoje,porém, não há vestígios do câncer em seu corpo, segundo médicos. E Judy temaproveitado a vida viajando e praticando canoagem. “Cerca de uma semana depois(do tratamento pioneiro), eu comecei a sentir algo. Eu tinha um tumor no peitoe conseguia senti-lo encolher”, diz Judy à BBC. “Uma ou duas semanas depois,ele desapareceu”.

Elalembra que, ao fazer o primeiro exame após passar pelo tratamento, viu a equipemédica “saltitando de empolgação”. Foi quando ela soube que teria uma chance decura.

'Droga viva'

Otratamento a que Judy foi submetido consiste em uma “droga viva”, feita apartir das próprias células dela, em um dos centros de referência de pesquisade câncer do mundo.

“Éo tratamento mais altamente personalizado que se possa imaginar”, diz à BBC omédico Steven Rosenberg, chefe de cirurgias no Instituto Nacional do Câncer dosEUA.

Aterapia ainda dependerá de uma grande quantidade de testes até que possa seramplamente usada, mas começa da seguinte forma: o tumor do paciente é analisadogeneticamente, para que sejam identificadas as raras mutações que podem tornaro câncer visível ao sistema imunológico do corpo - e que podem, portanto, serformas de combater os tumores.

Nocaso de Judy, das 62 anormalidades genéticas do seu câncer, apenas quatro erampotencialmente atacáveis pelo sistema imunológico. Na verdade, o sistemaimunológico já está, naturalmente, combatendo os tumores, mas está perdendo asbatalhas.

Porisso, o passo seguinte dos pesquisadores é analisar os glóbulos brancos (ascélulas imunológicas do corpo) para extrair as que são capazes de atacar otumor. Essas células serão, então, reproduzidas em enormes quantidades emlaboratório.

Judyrecebeu 90 bilhões de suas próprias células, junto com medicamentos que “retiramos freios” do sistema imunológico. Com isso, "as mesmas mutações queprovocam o câncer acabam se tornando seu calcanhar de Aquiles", dizRosenberg.

'Mudança de paradigma'

Valelembrar, porém, que os resultados animadores vêm por enquanto desse único casoisolado, e pesquisas em populações maiores serão necessárias para confirmar avalidade do tratamento.

Odesafio, até agora, na terapia imunológica contra o câncer é que ela às vezesfunciona muitíssimo bem em alguns pacientes, mas sem beneficiar a maioria dosdoentes.

“(Otratamento) é altamente experimental, e estamos apenas começando a aprender aaplicá-lo, mas potencialmente ele vale para qualquer câncer”, afirma Rosenberg.

“Aindahá muito trabalho a fazer, mas há potencial para uma mudança de paradigma notratamento de câncer - uma droga sob medida para cada paciente. É muitodiferente de qualquer outro tratamento.”

Osdetalhes do caso de Judy Perkins foram publicados no periódico “Nature Medicine”.Para o médico Simon Vincent, diretor de pesquisas da organização Breast CancerNow, os resultados são “extraordinários”.

“Éa primeira oportunidade de ver esse tipo de imunoterapia (agindo) contra o tipomais comum de câncer de mama”, diz ele. “Potencialmente, pode-se abrir uma áreacompletamente nova de tratamento para um grande número de pessoas”.

Com informações de G1 e BBC, 04/06/2018


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