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Saúde

Avaliação de Tecnologia em Saúde: como essa metodologia auxilia na inclusão de medicamentos no SUS

19/09/2018 - Num mundo cada vez mais conectado, rápido e com diversas tecnologias todos os anos a medicina avança e surgem novas alternativas para diagnóstico e tratamento para as mais variadas doenças, inclusive o câncer. Nesse sentido, os gestores públicos precisam ter elementos para avaliar se esses novos recursos são mais eficientes do que os que já vêm sendo utilizados e qual é a possibilidade de sua implementação.Portanto, a inclusão de qualquer processo precisa passar por uma minuciosa avaliação que inclui custos gerados ao sistema e benefícios proporcionados aos pacientes, entre outros.

 A metodologia adotada para esse processo é a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), que visa chegar a uma conclusão baseando-se na investigação dos resultados clínicos, econômicos e sociais da utilização das tecnologias na saúde (medicamentos, equipamentos, sistemas e procedimentos por meio dos quais o serviço de saúde é prestado). Assim, ela busca esclarecer as implicações clínicas, sociais, éticas e econômicas do desenvolvimento, difusão e uso da tecnologia em saúde de uma maneira robusta, imparcial,transparente e sistemática.

A ATS é um conceito amplo e pode avaliar diferentes critérios dependendo do que está sendo analisado. Por exemplo, se for um medicamento, é provável que se leve em conta a eficácia(como ele age no contexto de um estudo clínico, num contexto de condições ideais), segurança (o quão capaz ele é de causar malefícios à saúde),efetividade (como ele age no contexto do mundo real) e o provável impacto social, organizacional, legal, ético e político do seu uso. O importante é entender que ela leva em conta diferentes contextos, entre eles:

- Clínicos: segurança, efetividade, indicações, eficácia, população beneficiada e outros resultados;

- Econômico: custos, eficiência, custo-efetividade, custo-utilidade, custos de oportunidade,e impacto orçamentário;

- Paciente: impacto social, ética, conveniência, aceitabilidade, reações psicológicas e outros aspectos;

- Organizacional: difusão, aceitabilidade, logística, capacitação, utilização e sustentabilidade.

De maneira geral, as informações que compõe a ATS são provenientes de:

- Estudos clínicos - estudos realizados com pacientes utilizando o procedimento em questão a fim de avaliar seus efeitos.

- Revisões sistemáticas de estudos clínicos - análise conjunta de diversos estudos que avaliam o mesmo efeito,permitindo análises em maior número e de maior confiança.

- Avaliações econômicas - estudos comparativos que analisam os valores dos recursos aplicados e dos resultados em saúde obtidos, ajudando nas decisões sobre o uso dos recursos.

- Consultas Públicas - consultas pelas quais usuários, pacientes, ONGs, organizações da sociedade civil, empresas e outros atores sociais podem expressar sua opinião.

A ATS é usada no Brasil para subsidiar a inclusão de medicações no SUS e no sistema suplementar de saúde (planos e convênios).  É importante destacar que a importância da ATS está em mostrara de forma clara o porquê determinado medicamento foi incorporado ou excluído do sistema,garantindo a isonomia, a seriedade do processo, e que todos os agentes interessados sejam ouvidos.

Obviamente, essa metodologia não está livre de falhas. Uma das principais críticas é que as análises realizadas atualmente não levam em conta – ou minimizam – algumas questões. Um desses fatores são dados mais precisos sobre como cada procedimento, sejam exames, medicamentos, intervenções cirúrgicas ou outros,afeta a vida do paciente, considerando, por exemplo, a sua capacidade em melhorar a qualidade de vida, permitir uma recuperação mais rápida, reduzir o auxílio de um cuidador, entre outros aspectos.

Nesse sentido, uma metodologia em ascensão pode contribuir para amenizar essa lacuna, o uso de Real World Data, ou dados de vida real. Esse sistema cruza uma série de dados e informações para compreender como as tecnologias em saúde como exames e tratamentos funcionam na prática e medir a sua eficácia e impacto na qualidade de vida dos pacientes. Se quiser saber mais é só seguir acompanhando o site da FEMAMA, pois na semana que vem iremos publicar um texto sobre o tema. 


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